Devoção ao Preto (parafraseando a Veja)

Penso que os adeptos e/ou simpatizantes do estilo dark/goth/metalhead deveriam ler esse post com bastante atenção – e elevadas doses de bom humor:

Abra seu guarda-roupa e o observe com atenção para responder as perguntas abaixo:

1. A cor preta ocupa mais de 80% do seu vestuário?

2. Você costuma vestir preto sobre preto e com detalhes em preto (ou prata, se forem metálicos)?

3. Você acredita que o preto é a única ou a melhor cor para expressar visualmente seu estado de espírito?

Você respondeu SIM a pelo menos duas dessas questões? Meus pêsames, você sofre de devoção ao preto…

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Sempre que compareço a algum evento da cena, me deparo com uma profusão de gente de preto- e só de preto. Aliás, se estiver perdida, a melhor maneira de achar o local certo é seguir o pessoal de preto… Com algumas exceções para algum top de renda com fundo vermelho ou detalhes de corsets, é muito difícil ver uma combinação de preto com outras cores por aqui. Não sei como as coisas andam fora de Florianópolis, mas aqui está tudo noir ao extremo.

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A cor preta tem um significado bastante negativo na nossa cultura, o que certamente atrai as pessoas desse meio para ela…Antes de se tornar o sinônimo do luto e por extensão da morte, o preto significava sobriedade – usado pela corte espanhola no século XVII, pelos padres católicos, por alguns protestantes e por pessoas que precisassem demonstrar altivez moral. Mas até nesses casos geralmente vinha acompanhada de uma camisa branca!

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Talvez por falta de conselhos de moda dirigidos especificamente para esse público, a maioria peca pelo excesso de preto. Não há nada de errado com o preto, muito pelo contrário; bem colocado, ele nos emagrece, nos deixa mais altos, com a pele mais clara e dá um arzinho de elegância para qualquer produção. Mas a sobreposição de peças pretas, sem a devida coordenação de peças e acessórios, pode resultar num verdadeiro desastre visual. Salvo a sua intenção seja realmente parecer um vampiro recém-saído da tumba às 7hs da manhã, o que se gera é um visual desnecessariamente carregado e poluído, um visual over.

Há uma série de cores com a qual o preto se casa com perfeição, porque namorar ele namora todas, afinal é o rei das cores neutras. Há coisas a serem consideradas na escolha dessas cores:

1. Tom da pele

2. Temperatura da pele (sim, isso existe!)

3. Sua personalidade

4. Ocasião

5. Mensagem que você quer passar

A partir de amanhã, publicarei aqui alguns artigos e conselhos para ajudar você a acrescentar alguma cor – e muito mais elegância- ao seu guarda-roupa.

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Magreza, uma entre tantas obsessões do mundo contemporâneo

Hoje acordei cedo e fui cometer o pecado-mor – comer em frente à TV. Enquanto devorava um pote de cereais matinais com leite desnatado (claro, para minimizar o pecado da gula), comecei a percorrer animadamente os canais da TV a cabo, em busca de algo que não fosse programa feminino matinal ou aquela maldita faixa comercial inútil de 2h. Passei pela GNT, que no geral é um canal do qual eu gosto e, à procura dos carimbados programas de moda, abri aquela janela perversa que mostra toda a programação.

Há algum tempo que a GNT vem se dedicando a exibir programas sobre beleza/estética feminina. Mas alguns deles me preocupam por divulgar um modelo britânico que está beirando a neurose. O primeiro foi “Você é o que você come”, apresentado por Gillian McKeith, cujas restrições alimentares, eu suponho, fazem com que pareça 20 anos mais velha, fora o mal-humor…Mas esse programa ainda tinha algo de legal: ele mostrava os erros alimentares mais comuns, embora em famílias que se dedicassem como ninguém a estourar seus próprios vasos sanguíneos, o que serviu para que eu, por exemplo, percebesse que minha alimentação é praticamente saudável!

Mas as coisas desandaram mesmo quando veio “Meu cachorro é tão gordo quanto eu”. Leia esse título devagar para tentar entender, meu amigo(a). Depois de varrer o mundo humano, a obsessão das dietas chega ao mundo canino. Quem serão os próximos? Os peixes de aquário? Aqueles elefantes africanos obesos? Ou será que os ursos polares realmente precisam emagrecer para continuar usando branco?

Hoje vi na grade de programação o que me motivou a escrever esse artigo. “Três Noivas Gordas, um Vestido Magro”, também apresentado pela “Múmia” McKeith. Uma garota querer perder um quilinhos para sua cerimônia de casamento é louvável, afinal as fotos estarão sempre lá para nos lembrar desse dia; mas o programa é um reality show em que três mulheres (que antes deveriam ser absolutamente felizes!) manequim 44-46 competem entre si para ver quem consegue emagrecer mais (e não necessariamente do modo mais saudável) para entrar num miserável manequim 38, 40 no máximo. O problema não é a intenção de se emagrecer para o casamento, o problema é a mensagem que este tipo de programa traz.

Li há poucos dias que a chef britânica Nigella Lawson, que faz parte da grade da GNT e é conterrânea de McKeith, foi criticada por estar acima do peso e por apresentar um programa onde consome alimentos que não seriam saudáveis, coisas perfeitamente normais e comuns na cozinha como bolos, carnes, sanduíches. A resposta da chef foi bastante interessante: “as mulheres que passam a vida preocupada com dietas provavelmente têm uma vida sexual miserável. Se você considera o seu corpo um inimigo, como pode relaxar e sentir prazer?”. Eu achei bárbara.

Tudo isso me leva a pensar no quão obcecada pela magreza é a nossa sociedade. Não só pela magreza, mas por padrões em geral. Talvez a medicina moderna tenha um elevado grau de culpa sobre isso. Se de um lado a promoção de um estilo de vida saudável é bastante interessante, de outro temos uma indústria farmacêutica multimilionária que se alimenta das neuroses que programa como “Você é o que você come” incute em cérebros pouco estruturados.

É uma questão de auto-estima aceitar seu corpo do jeito que ele é, certo? Mas como nossa auto-estima será formada, e também as dos nossos filhos, se desde a infância somos bombardeados pelos comerciais que promovem um determinado modelo de beleza? Nesse ponto, acho que a Campanha pela Real Beleza, da Dove, foi um senhor golpe publictário; há uma fatia do mercado feminino que está abandonado pelas grifes, que costumam diminuir suas modelagens, produzindo manequins cada vez menores, porque não querem ver suas marcas vinculadas a mulheres “gordas”.

Esse artigo é uma sobre uma questão estética? Sim, mas não só. Ao falar sobre isso, também falamos de moda. Você, leitor(a) chubby: quantas vezes passou por uma vitrine, viu aquela roupa maravilhosa e ao procurar na loja, não tinham seu manequim ou o manequim correspondente ao seu era muito menor que o seu corpo? Isso acontece o tempo todo e já há relatos de consumidoras que foram destratadas em lojas porque seu manequim era mais alto que a média…

Desde muito tempo que a humanidade persegue modelos de beleza. Na Idade Média, por exemplo, corpos magros eram considerados sinônimo de ascese, ou seja, de pessoas que se dedicavam mais ao mundo espiritual que mundano – mas corpos magros, não anoréxicos. Nos quadros renascentistas, percebe-se nos modelos femininos a presença de uma certa barriguinha, sinônimo de fertilidade, que vai se acentuar durante o barroco. Quem nunca viu o quadro “As Três Graças”, de Peter Paul Rubens?

Essas mocinhas aí de cima, as aias de Afrodite (quanta honra escoltar a deusa da beleza!), paraísos da celulite e das gorduras localizadas, refletem o que era o padrão de beleza da época: como ainda dizem os árabes, MULHERES PARA ENCHER UMA CAMA. Ao longo do século XIX, o padrão foi se modificando com a imposição de uma silhueta mais delgada, ou melhor, de uma cintura fina, bem fina, obtida às custas de compressão com os (charmosos) espartilhos. A partir daí, e das descobertas dos malefícios trazidos pelo excesso de peso e maus hábitos alimentares, a silhueta feminina vai ficando cada vez menor…
O nosso ponto hoje é: a obsessão contemporânea pela magreza pretende retirar do corpo feminino o que ele tem de mais bonito: curvas que são adquiridas pelo depósito estratégico de gorduras coordenado pelos hormônios femininos. A excessiva magreza não só compromete o cérebro de uma pessoa, mas também toda a estrutura do seu corpo. Mulheres magras demais não conseguem sequer menstruar, afinal tudo no corpo depende de uma determinada harmonia (cósmica?). Hey, calma – isso não é um elogio à obesidade mórbida. O grande problema é que a obsessão por uma magreza, que é alcançada por poucas pessoas, acaba prejudicando todas as outras. Em uma sociedade que se quer progressista, que respeita a diversidade (não há países que já aceitam a união homossexual?) e que promove uma suposta igualdade, onde ficam os gordinhos, sendo gordinho qualquer um que esteja um manequim acima do “ideal”?
Depois que ouvi a Ana Hickmann dizer que “corpo de violão” é o mesmo que chamar uma mulher de gorda; depois que vi mulheres sem qualquer traço feminino além de silicone serem consideradas bonitas por terem um “corpão magro”, eu já não discuto mais. Pelo menos não com o mundo – só com as vendedoras que me olham meio esquisito quando peço manequim 44 na loja…
PARA LER MAIS
http://www.bolsademulher.com/corpo/materia/a_ditadura_da_magreza/5011/1
http://www.avidasecreta.com/category/gordinha/
http://campanhapelarealbeleza.com.br/
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ZYvVJ-3VAso&rel=1]
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